Encontro Juventudes

Síntese temática:

Diversas questões permearam a discussão sobre juventudes durante o Encontro. Inclusive é possível salientar a forte presença do tema transversalmente em outros debates e proposições ao longo do evento. De forma incisiva foi pontada a necessidade de se refletir sobre a forma de tratamento da juventude pelas políticas urbanas, sendo fundamental a proposição de novos modelos e o enfrentamento da lógica de calar vozes dissonantes nos territórios.

Sujeitos participantes:

A compreensão do conceito de juventude vai além de uma delimitação etária, isto ficou evidente nas contribuições e no perfil dos sujeitos que compuseram este encontro. A Pluralidade de olhares e visões ficou evidente entre os partícipes.

Ambiente de debate:

Discussões sobre a importância da vocalização e reverberação de experiências estéticas, o olhar para o tratamento social da juventude por parte do Estado, a necessidade de reafirmar acionamentos identitários transversais (mulher, negritude, questões de gênero e orientação sexual) foram alguns das problemáticas presentes durante as rodas que transcorreram no encontro. O cenário geral foi de horizontalidade com o esforço para dar espaço para a troca de experiências e o fortalecimento de uma agenda comum.

Questões fundamentais e reflexões:

Existe o desafio de se entender o que é o Funk no Brasil, seu papel cultural e importância para a construção da cidade. Destacou-se o papel do funk como potencializado das narrativas dos jovens de periferia. A sexualização e a ostentação nas letras do funk são o retrato mais real do processo de liberdade sexualidade e da crise de aburguesamento dessa juventude periférica.

Foi falado sobre a experiência de construção do Sarau de Esquina na Cidade de Deus no Rio de Janeiro e da relação com os moradores. Foi proposta a união da juventude negra e nordestina, pois fazem parte de grupos levados historicamente para as periferias na cidade do Rio de Janeiro.

A cultura periférica é libertária e revolucionária. A periferia incorpora inúmeros vícios sociais como o machismo, o racismo e o fundamentalismo religioso.

O Estado precisa reconhecer o potencial do jovem periférico e não deve haver nenhum tipo de cerceamento. O papel do estado é empoderar a cultura existente na periferia.

A necessidade do feminismo negro, pois o feminismo tradicional não conseguia dialogar com todas as mulheres. O feminismo precisa se agregar às lutas raciais e de classe. Além de se articular com a militância virtual. O feminismo é um meio de empoderar as mulheres negras.

Existem diversos processos de embranquecimento, como o alisamento do cabelo crespo e o clareamento da pela, que negam à estética e a origem negra.

Deixar o cabelo crespo crescer é um afrontamento estético e político.

O racismo estrutura a estética negra e o reflexo disso para juventude é a crise de representatividade nos meios de comunicação e na produção artística.

A escola é um espaço racista onde se reproduz padrão eurocêntrico e onde o Estado precisar desenvolver atividades de reconhecimento de sua população negra.

É necessária a organização da juventude negra para lutar contra o seu extermínio negro. O povo negro precisa viver

É necessário se discutir a questão racial no Brasil, apontando para a perversidade do nosso racismo encoberto e pontuando que é uma falácia afirmar que aqui há menos preconceito que nos EUA. Lá, os negros possuem mais poder econômico e mais visibilidade na mídia que no Brasil e, decorrente de sua história, se mobilizam mais em defesa dos seus direitos, o que faz com o que quando um menino negro morador de periferia morre pelas mãos de um policial, todo um movimento social de cobrança surja em contraposição. O que não corre aqui nem em situações extremas como o caso ocorrido recentemente na favela da Lagartixa, no Rio de Janeiro.

Em nosso cenário político, a forma mais eficiente de baixar os níveis de criminalidade é diminuir as desigualdades sociais. Este argumento é fortalecido através dos dados de criminalidade que mostram que os anos em que tivemos a menor taxa de crimes ocorridos no Rio, também foram os anos de menor desigualdade social.

Importância do movimento rap e das cotas raciais nas universidades para diminuição das desigualdades.

Na cidade a luta é, sobretudo, territorial, pois o que está sendo retirado é direito frequentar a cidade e a resposta tem que ser a ocupação dos espaços públicos.

Proposições e olhares para o futuro:

Fundamental refletir sobre o contraste da glamourização das atividades culturais no centro e zona sul do Rio de Janeiro, com as deslegitimadas as atividades culturais periféricas.

Como sugestão foi proposta a integração dos movimentos negros com as academias policiais, visando a proposição de discussões e atividades com os recrutas da academia da policia militar.