Encontro Hacker

Síntese temática:

Falar da ideologia hacker é perceber outra tipologia de luta contra hegemônica permeada pela tentativa de defesa da pluralidade. O Encontro com esta temática teve este espírito de observar o que já vinha sendo feito no campo, por meio da interface entre este olhar e as políticas públicas do Ministério da Cultura e quais seriam as perspectivas futuras.

Sujeitos participantes:

Diversos olhares permearam a discussão, em sua maioria, existiu a presença de ativistas do campo e de pesquisadores. Alguns solicitaram inclusive o pedido de não identificação pela relatoria com o intuito de preservar o anonimato e o sigilo de suas ações.

Ambiente de debate:

O Encontro Hacker primou por outros tipos de experiência da estética hacker por meio do percurso realizado pelo ônibus e pela interação com outras organizações. O ambiente de debate no evento contou com a presença de atuantes no campo e pesquisadores.

Questões fundamentais e reflexões:

Foi lançada uma como provocação a mesa uma reflexão sobre os dez últimos anos para a Cultura Digital para que pensemos nos seus avanços e nos gargalos enfrentados

Ampliando o recorte proposto é possível fazer uma digressão sobre a importância da década de 60 para o desenvolvimento atual da cultura digital, sinalizando o papel fundamental que a rebeldia e as transformações ocorridas tiveram ao lançar as bases para o cenário atual.

Podemos ressaltar a proeminência e a multiplicidade de atores que já estiveram ativos na “blogsesfera” e como o número de “blogueiros” caiu vertiginosamente nos últimos anos devido à migração para plataformas fechadas, principalmente o facebook, pontuando a perda de independência e a redução dos espaços livres na web.

Há pouco tempo atrás não havia muitos exemplos nos quais se espelhar ou restrições para as ações no mundo virtual, o que tornava a internet um campo mais livre e mais criativo.

O fato de não haver legislações especificas no passado se contrapõe ao cenário atual. Hoje elas vem aumentando exponencialmente, sempre em defesa dos ganhos das grandes corporações. Um cenário realmente preocupante para liberdade de rede.

É preciso ponderar o grande número de hackers que são recrutados por empresas, e como a maioria das novas empreitadas virtuais já são criadas com o intuito de gerarem lucro, em detrimento dos antigos ideais de intercâmbio de informações visando o aprimoramento da cultura como um todo.

Vive-se um ambiente de expansão das novas tecnologias na sociedade, no qual o aparecimento das Startups, pequenas empresas de base tecnologica com grande potencial de escalabilidade de seus produtos, possuem centralidade na construção de novos modelos econômico sociais .

O ambiente de experimentação em torno do Linux foi importante para o fortalecimento da ideologia Hacker. No entanto, em algum momento, o mundo percebeu que poderia fazer fortuna com isso. De repente todos aqueles entusiastas estavam trabalhando no Google, Facebook e Amazon. “E a circulação de ideias começou a diminuir”. Iniciando o que se caracterizou como um grande retrocesso na difusão das informações e na cena hacker mundial.

Falta de conversa entre governo e sociedade, foi relatado um hackeamento do site do Ministério das Ciências e Tecnologia entregando a falha que existia no sistema sem causar nenhum dano e que não houve nenhuma resposta por parte da administração pública, nem mesmo consertando o problema encontrado.

Foi relatado aos presentes que o site do Emergências foi hackeado uma semana antes do evento, e que o autor também não causou nenhum dano, apenas deixou uma mensagem contendo seu twitter, meio através do qual ele pode conversar com o autor sobre o ocorrido e consertar a falha. Enfatizando assim, mais uma vez, que o governo não é um ente único e que as respostas acabam por ser diversas.

Proposições e olhares para o futuro:

É importante a criação de políticas públicas para o desenvolvimento de novas ações de fomento à cultura digital que possuam como base outras motivações que não o lucro. Um exemplo seria a ampliação das políticas públicas para fomentar o software livre, enfatizando que todos nós somos programadores em potencial, sob pena de ficarmos cada vez mais dependentes das grandes corporações de informática.

A necessidade latente da criação de novos espaços de participação popular por parte do governo, aproveitando o potencial das novas tecnologias para aproximar os cidadãos e fomentar o diálogo.