Encontro Feminismos

Síntese temática:

O debate sobre feminismo é crescente no mundo e na América Latina. No Brasil, por exemplo, por meio do movimento “Primavera das Mulheres”, a luta pelos ideais feministas, contra o feminicídio, e a favor da garantia dos direitos das mulheres vem ganhando força e é cada vez mais entendida como inerente às questões culturais.

O Encontro Feminismos promoveu a reunião de agentes sociais com militância na temática e gerando amplo debate, possibilitando a troca de experiências e o avanço nas reflexões sobre a luta das mulheres. Para proporcionar tal resultado, alguns espaços foram essenciais, como as rodas de conversa “O Boom do Feminismo – Estamos indo Juntas pra onde?”, “Hashtag Feminismo”; “Feminismo Negro”, e mesa “Lugar de Mulher é em todos os Lugares, onde ela quiser”.

Sujeitos participantes:

Estiveram presentes agentes culturas e atores sociais de toda América Latina bastante influentes no cenário atual do feminismo. Em geral, o público era composto por jovens mulheres, mas também homens e transgêneros participaram do Encontro Feminismos. A maioria integra/representa coletivos ativistas que militam focadamente nesta temática, ou ainda outros coletivos de lutas sociais em geral, que abarcam também a temática do feminismo. Algumas das organizações presentes foram: Rede de Jovens Vivendo com HIV, o movimento ProDerechos, Observatório de Favelas, o SOS racismo, o Movimento Amplio de Mujeres do Porto Rico, o Movimento Facción do Peru; o Mujeres. Representantes de movimentos ativistas digitais, como #NiUnaMenos, Think Olga, #ChegadeFiuFiu, #AgoraEQueSaoElas, #PrimeiroAssedio, também estavam presentes Além destas, mulheres que representam e/ou ocupam cargos influentes em organizações como Agência de Redes para Juventude, a União Nacional dos Estudantes, União Brasileira de Estudantes Secundaristas, Revista Garganta Poderosa, site Mundo Invisível, Revista Carta Capital.

Ambiente de debate:

O ambiente de debate acarretou profundas reflexões teóricas, partindo de representantes de instituições de luta pela causa. Embora a maioria das falas partisse de ativistas, e tivesse este ponto de referência, ressalta-se que as rodas de conversa não se furtaram de embasamentos teóricos e filosóficos criteriosos.

Questões fundamentais e reflexões:

Necessidade da luta contra o machismo como uma luta pela liberdade do próprio corpo feminino que é escravizado todos os dias.

A legalização do aborto como forma de libertação do corpo a mulher.

O feminicídio.

A necessidade da conscientização e luta pelo feminismo negro, uma vez que a violência contra as mulheres negras é muito frequente.

O tratamento desumano dado às mulheres negras nas maternidades.

O feminismo deve abarcar todas as mulheres, independente de hábitos culturais, credo, cor.

A revisão da narrativa histórica, que oculta o papel da mulher.

O Projeto de Lei, que fere o direto da mulher.

A necessidade da regulamentação da prostituição para a garantia de direitos trabalhistas às profissionais do sexo.

A Primavera das Mulheres.

A baixa auto estima sofrido pelas mulheres negras devido a falta de referências de beleza que compartilhem das mesmas característica.

As travestis e transsexuais que estas também sofrem fortes opressões de gênero.

A maneira que os meios de comunicação expõem as mulheres, em especial no caso de mulheres negras.

Os impactos das campanhas feministas pela internet.

Proposições e olhares para o futuro:

Repensar o papel da mulher na família, no contexto contemporâneo.

Lutar pela equiparação salarial.

Lutar pelas falsas dicotomias que atribuem papéis específicos à homens e à mulheres.

Estimular a utilização dos espaços públicos para lutar a favor da igualdade de gêneros através de manifestações sociais e culturais.

Trabalhar para construção social através da educação, defendendo a ideia de que o feminismo precisa ser introduzido na educação das crianças.

Criar espaços de liderança feminina na política.

Unir a categoria, apesar das especificidades.

Ocupar de espaços acadêmicos e de liderança pelas mulheres negras como forma de resistência e luta política.

Atuar em prol da mudança dos padrões de beleza estabelecidos socialmente.

Estimular o uso da internet como mobilizadora dos movimentos sociais.