Encontro Colaboracidade

Síntese temática:

Pensar a cidade é voltar o olhar para a interface entre sujeito, espaço, território e territorialidade. A cidade deve ser percebida como o lócus para a convivência do múltiplo e do diverso dando a possibilidade de distintas interfaces, seja por novas definições de apropriações pelos sujeitos, seja pela discussão de outras rotas de desenvolvimento que não primem pela gentrificação e pelo “apagamento” da riqueza cultural do território.

Sujeitos participantes:

A participação deste encontro ilustrou a diversidade de olhares para a cidade. Tivemos integrantes de movimentos sociais, gestores de organizações não governamentais com preocupação sobre a interação com o território, representantes de instituições governamentais, pesquisadores, arquitetos e interessados no tema.

Ambiente de debate:

O ambiente de debate do encontro foi formado, em sua maioria, por mesas e pela fala de convidados. Tivemos, portanto, mais falas estruturadas, além de forte interação com a plateia por meio da interlocução temática.

Questões fundamentais e reflexões:

É fundamental pensar a presença e o protagonismo da juventude em novas formas de vida na cidade, enfatizando a potencia da periferia.

É preocupante observar que, sob o discurso do tecnicismo de parte da burocracia de algumas cidades, despreza-se a participação social e a vontade da maioria da população.

Movimentos como o “Ocupe Estelita” demonstram a urgência de refletimos sobre novos modelos de desenvolvimento e de reconfiguração de grandes cidades. É temerário quando o poder público coloca em primeiro lugar interesses econômicos e não o bem estar da população.

Devemos problematizar a palavra revitalização (muito utilizada em grandes intervenções urbanas contemporâneas), é preciso enfatizar que o planejamento urbano não pode ser pensado fora da problemática do direito à moradia.

O perigo de decisões macro políticas, tomadas em gabinetes fechados, que impactam na continuidade de ações e permanência de sujeitos em seus territórios.

Foi ressaltado que a mulher não tem o mesmo direito a cidade que o homem, o negro não tem o mesmo direito a cidade que o branco, isso deve ser colocado em debate.

As estruturas de participação das gestões municipais podem não dar conta das distintas necessidades e dos múltiplos diálogos com as questões do território.

Lembrou-se a importância da luta política. Em um determinado momento os movimentos sociais esbarram nessa perspectiva absoluta de propriedade. Há uma necessidade de ampliar o controle público do Estado, com muita luta.

Se o Minc está muito interessado em movimentos de resistência territorial e cultural, em criar políticas públicas para isso, como fazer isso sem gentrificar?

“A cultura é um campo de batalha” onde se disputam os significados dados a elas e suas relações complexas. “A cultura é uma trincheira”. “A cultura é uma barricada” porque pode operar como lugar de resistência. “A cultura é uma arma” porque pode promover às pessoas as ferramentas para lutar contra a hegemonia. Da mesma forma, fala sobre a cidade. “A cidade é um campo de batalha” onde o que está em disputa é o sentido simplificado da cidade, o sentido do uso coletivo frente ao poder do capital. “A cidade é como uma trincheira”. “A cidade é uma barricada” para resistir aos processos de financiamento do capital. “A cidade é uma arma” que pode ser ocupada, tomada.

A luta urbana é uma luta cultural e a luta cultural é uma luta urbana. O mercado não cria, o mercado submete a criatividade do povo. Destrói as culturais marginais para colonizar.

O que se tira mais dessa roda é esse encontro dos diversos olhares, essa conversa entre as pessoas. Exercitar o diálogo é algo que nos enriquece porque o que surge são as vivências, as trocas. As coisas são ambíguas e ambivalentes.

Proposições e olhares para o futuro:

É fundamental pensar em formas de fortalecer novas formas de vivência na cidade, por meio da criação de novas estratégias para casas coletivas, grupos, outras formas de vida visando a sustentabilidade.

Visibilizar, observar a produtividade do conflito, adotar a resistência como norte são elementos a serem incorporados e/ou valorizados por movimentos de periferia. Não se deve falar apenas para os pares, é preciso ganhar outros e múltiplos contornos, adeptos e territórios.

Levantou-se a importância da estética para a redefinição do viver a cidade. A linguagem do funk pode ser uma alternativa rica para dar centralidade à produção de periferia, ao jovem como produtor e não como um produto.

É complicado mesmo romper as formas administrativas que estão dadas para lidar com movimentos sociais e periferias. A grande saída está nas redes e nas conexões.

Deve-se lutar por fora e por dentro do Estado para que a vida nas cidades seja melhor. É nessa multiplicidade de luta que se constrói e reforça papel da sociedade, tem de ser combativo.