Emergências se despede do Rio de Janeiro

23329279920_b0ce0aa6c2_o

O Emergências se despediu do Rio de Janeiro (RJ) neste domingo (13) após uma semana agitada por mais de 300 atividades que se espraiaram por mais de 20 territórios da cidade. As cerca de 10 mil pessoas participantes presenciaram um ou mais encontros de redes, mesas de debate, rodas de conversa, atrações artísticas, percursos culturais, oficinas e atividades autogestionadas que extrapolaram a programação pré-definida e emergiram feito a imprevisível criação cultural.

Todas elas ativadas pela força de emergentes lutas por direitos civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais. Formando um todo diverso que, em comum, tem a busca do respeito e do reencantamento da política.

“Inovamos na confecção, no modo de feitura do evento, na sua metodologia, o que refletiu nos rostos, nas expressões, nas participações das pessoas. Pretos, mulheres, jovens, quilombolas, índios, todos juntos nestes dias. A cogestão da organização com a sociedade civil deu muito certo e foi isso que deu a dimensão de um encontro global, de um Fórum Social Mundial da Cultura”, analisou a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Ivana Bentes.

Diversidade internacional

Além da população carioca, o Emergências contou com participantes vindos de todas as regiões do Brasil e com expressiva representação latino-americana: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicaragua, Panamá, Paraguai Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Boa parte deles vieram de ônibus em 52 caravanas.

Também estiveram presentes pessoas de Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal, Israel, Itália, Líbano, Reino Unido, Síria, Somália e Suécia. Havia refugiados, legalmente registrados como apátridas, também.

O Emergências também pode ser acompanhado virtualmente através das transmissões via internet e da cobertura colaborativa que inundou as redes sociais capitaneadas pela hashtag #emergencias2015.

Diversidade espacial

Mesmo tendo como centro nevrálgico a Fundição Progresso e arredores do Arco da Lapa, o encontro buscou também expandir seu universo no Rio de Janeiro levando participantes para Babilônia, Bangu, Belford Roxo, Cerro Corá, Cidade de Deus, Complexos do Alemão e da Maré, Gamboa, Jacarezinho, Jacarepaguá, Madureira, Nova Iguaçu, Niterói, Pavuna, Praia Vermelha, Praia do Arpoador, Prazeres e Rocinha.

O Circo Voador, os museus Histórico Nacional e da República, o Palácio Capanema, o Parque Laje e a Praça XV também foram locais ocupados pelo Emergências.

Já o acampamento, que recebeu 2,7 mil pessoas, foi armado no bairro de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, sede da residência da família real em tempos de Brasil Império.

Diversidade temática emergente

A pauta elástica e fluída do Emergência – inflando tudo que promova a diversidade cultural e blindada a todas ameaças democráticas – trouxe um sem número de temas e possibilidades de reflexão, tais como:

Os feminismos, o aborto, o cárcere e a violência contra as mulheres, o parto humanizado e o sistema obstétrico e #MachistasNãoPassarão;

O combate ao racismo, os povos de terreiro, o afrofuturismo com toques de ancestralidade e #JuventudeNegraQuerViver;

O Estado laico, o respeito às diversidades religiosa e sexual e #ForaAutoritários;

O meio ambiente, a sustentabilidade, o aquecimento global, o ativismo alimentar, a agricultura orgânica, familiar e urbana e #MarianaNãoFoiAcidente;

A resistência indígena, os Tupinambá Hã hã hãe, os Ashaninka, os Guajajara, os Quechua, os Aimara, os Kariri Xokó, os Kayapó e #EmergênciasGuaraniKaiowá;

A cultura digital e de redes, as mídias livres, as mídias de massa e as massas de mídia, a ação hacker, a democracia e a liberdade na internet, os novos paradigmas do direito autoral e #DasHashtagsPrasRuas;

A economia solidária e compartilhada, as novas possibilidades de fomento à cultura, os novos bancos, fundos e moedas, a criação coletiva, as fissuras no capital, o PIB x FIB e #DesenvolvimentoDoBemViver;

A mobilidade urbana, a especulação imobiliária, a ocupação do espaço público e #Tarifa Zero;

A inovação na educação, o circuito universitário de arte e cultura, a tecnociência, as ocupações secundaristas em São Paulo e #ReinventarAsEscolas;

As artes, a fotografia, a dança, a música, a rede latino-americana de festivais, o futebol, a capoeira, o design, o teatro, o cinema e os novos ambientes audiovisuais e #NovasEstéticasNovaPolítica;

A segurança pública, as drogas sem hipocrisia, a crise migratória, os deslocamentos forçados e #LegalizaçãoDaVida.

Todas essas atividades contaram com nomes de peso como Gilberto Gil, Lawrence Lessig, Jandira Feghali, Jean Willys, Constanza Moreira, João Pedro Stédile, Benedita da Silva, Lindberg Farias, Djamila Ribeiro, Wadih Damous, Laura Capligrione, Alexandra Loras, Guilherme Boulus, Nalu Faria, Marcelo Yuka, Jordi Claramonte, Eliane Dias, Rico Dalasam, Tássia Reis, Paul Singer, Ashley Yates, Ailton Krenak, Maria Frô, Gregório Duduvier, Mãe Beata de Yemanjá, Otto, Anita Tijoux, Dream Team do Passinho e o ministro da Cultura Juca Ferreira.

Vinicius Mansur
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura