O lugar do teatro na democracia brasileira

Representantes do teatro de 17 estados brasileiros e de países latino-americanos se encontraram durante o Emergências para debater a construção de uma política pública para o teatro. O evento também foi marcado por nota a favor da democracia.

(foto de Camilo Árabe)

“Não podemos deixar que se estabeleçam retrocessos, que ameacem os direitos conquistados e a liberdade. Precisamos fortalecer a democracia em todas as suas dimensões”, enfatizou o ministro Juca Ferreira, durante a abertura do Emergências, iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) que reúne, de 7 a 13 de dezembro, no Rio de Janeiro, pensadores, ativistas, artistas, produtores culturais, gestores e agentes políticos de todo o mundo para debater cultura, ativismo e política.

Nesse contexto, dentro da programação do Emergências, aconteceu nos dias 9 e 10, o “Encontro de Redes, Movimentos e Entidades do Teatro”, atividade que reuniu artistas, produtores e agentes culturais de 17 estados brasileiros e de países latino-americanos como Argentina, Bolívia e Uruguai.

Os inúmeros assuntos discutidos em mais de 10 horas de encontro tiveram um traço em comum: política. “O teatro historicamente traz lutas políticas em suas pautas. Lutas pela liberdade de expressão, pela arte, pela democratização do país”, diz Paulo Celestino, do Grupo XIX de Teatro, de São Paulo. “Esse episódio que aconteceu sintetiza o retrocesso, principalmente no campo simbólico. Temos que disputar o campo simbólico. As pessoas não podem achar normal que aconteçam atitudes como essas”, afirma. O episódio a qual Paulo se refere vem de uma notícia da madrugada de quarta para quinta-feira que mexeu com os participantes do encontro: a Polícia Militar do Estado de São Paulo invadiu o Teatro Arena Eugênio Kusnet e agrediu jovens que se manifestavam contra a reorganização escolar na rede pública estadual, medida que prevê o fechamento de escolas e gerou mobilização e resistência dos estudantes secundaristas paulistanos.

Uma nota de repúdio foi emitida pelos presentes contra a ação da Polícia Militar, lembrando que o Teatro Arena “é um histórico local de luta contra a ditadura”. O documento rejeita ainda a tentativa de golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e pede a saída do presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Eduardo Cunha. Por fim, a declaração também se posiciona pelo fim do extermínio da juventude negra, a favor da luta dos estudantes secundarias de São Paulo e contra o ajuste fiscal promovido pelo Governo Federal.

Política Nacional das Artes

O encontro foi organizado pelo ator e diretor, Marcelo Bones, e integra o processo de construção da Política Nacional das Artes (PNA).

“A PNA é uma prioridade do MinC cujo objetivo principal é a implementação de políticas públicas atualizadas e duradouras para as artes. Logo, este encontro é uma oportunidade para elaborar coletivamente propostas para a construção de uma política pública específica para o teatro”, explica Bones, escolhido para ser articulador do segmento durante o processo da PNA.

“É uma oportunidade para elaborar coletivamente propostas para a construção de uma política pública específica para o teatro, além de definir pontos centrais para serem levados ao Congresso Brasileiro de Teatro, que acontece no ano que vem.”, conclui o articulador.

Camilo Árabe
da Funarte