Estética e política: o que nos comove e mobiliza?

mesa estética na política

Inspirado em manifestações políticas recentes, como Junho de 2013 no Brasil e o 15M na Espanha, e nas novas formas de mobilização que elas trouxeram, o Emergências colocou em debate, na noite desta quinta-feira (10), a Estética na Política.

A mediadora da mesa, a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Ivana Bentes, destacou a importância da estética do escracho e de outras performances, que ganharam força no Brasil a partir de junho de 2013, na disputa da narrativa política nacional e na construção de uma outra cultura política.

“Somos informados de todas as injustiças e assimetrias, mas o que faz com que, num determinado momento, um grupo, uma rede, um coletivo, o Estado ou uma política pública se direcionem, se comovam em relação a uma delas? O que faz com que uma pessoa saia dos seus mundos e das suas preocupações cotidianas e encare o campo da ação, do ativismo?”, provocou Ivana Bentes.

Para o músico e ativista Marcelo Yuka, vivemos um tempo em que temos, como nunca, muita informação de fácil acesso. “Mas isso nunca nos comoveu tão pouco”, salientou. “O que está em jogo agora é que, de alguma maneira, nós temos voz. As vozes ecoam, formamos redes, a informação circula, cabe a nós não deixar os olhos se anestesiarem”, agregou.

Para Yuka, a questão estética se coloca, para a política inclusive, pela necessidade que temos de continuar sentindo e de expressar o que sentimos. “A maneira que se pode ou não, a maneira de quem te permite isso ou não é que faz um formato estético”, opinou.

Para a professora Giselle Beiguelman, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), há uma revolução estética em curso. Prova disso seria a forma como a educação está sendo reivindicada recentemente pelo movimento de ocupação de escolas públicas em São Paulo.

“As ruas foram tomadas muito simbolicamente a partir da escola Fernão Dias, um dos bandeirantes mais execráveis de nossa história. E a escola está no sítio onde ele morava. Na frente da escola, há um monumento dele que foi encapuzado e onde colocaram uma faixa dizendo Bandeirante assassino das nações indígenas. Um gesto de cruzamento da política com as estéticas”, exemplificou.

Esse exemplo seria apenas a primeira das evidências, de acordo com a professora, de que as fronteiras que separavam os mundos da academia, da arte, da ação política, das redes e da educação, entre outros, estão sendo “dinamitadas”, permitindo a entrada de novos atores e novas estéticas na política.