Mulheres empoderadas no Emergências

aA luta que emergiu com força nas ruas do Brasil em 2015, por meio da Primavera das Mulheres, também ocupou a abertura do Emergências na tarde dessa segunda-feira (7), no Circo Voador, no Rio de Janeiro (RJ). Logo após a fala do ministro da Cultura, Juca Ferreira, na cerimônia de abertura, o palco foi tomado por 19 mulheres de diversas origens e matizes do feminismo, que, uma a uma, se apresentaram e expuseram suas lutas e os motivos por que vieram ao encontro.

Produtora da banda paulista Racionais MC’s e coordenadora do SOS Racismo, Elaine Dias ressaltou que, antes de qualquer coisa, é mulher negra, mãe e militante. Ela perguntou à plateia quantos conheciam jovens mortos à bala e emendou dizendo que é a luta pela vida na periferia que a move. “Eu preciso continuar trabalhando a cultura, tentando ser uma referência, para levar a cultura para a periferia e diminuir o genocídio da juventude negra”, destacou.

Já trabalhadora sexual e coeditora do site Mundo Invisível, Monique Prada, comemorou ser convidada para um espaço promovido pelo governo federal que não é organizado pelo Ministério da Saúde. “Porque até então, a questão de putas a gente tratava sempre lá”, alertou.

Idealizadora da campanha “Agora é que são Elas”, Manuela Mikklos destacou a importância de se construir “um novo normal”. Para ela, “várias coisas precisam deixar de ser normais”, como o medo de ser mulher e a violência cotidiana sofrida das mais variadas formas.

A blogueira progressista Maria Fro chamou atenção para a “guerra da comunicação”. Ela ressaltou que “99% dos ataques que a presidenta Dilma recebe são porque ela é mulher” e afirmou a importância de todos contribuírem com disputa das narrativas.

A mestre em Filosofia, blogueira e colunista da Carta Capital Djamila Ribeiro enfatizou a necessidade de se considerar a perspectiva do feminismo negro em todas as lutas sociais. “Somos nós que estamos ainda limpando privada de pessoas que querem fazer revolução em nosso nome”, criticou.

Finalizando, a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Ivana Bentes, afirmou que a luta das mulheres “precisa sair do gueto” e destacou que há movimentos muito interessantes ocorrendo no País nesse sentido, como  as meninas do funk brasileiro. “Tati Quebra Barraco dizendo que gosta de pagar motel pra homem, falando de posição sexual, isso é uma revolução de comportamento no Brasil. E veio da periferia, das mulheres negras e pobres. Ela é a nova Leila Diniz, ela e muitas outras, mas essa revolução não é vista, elas são as meninas vulgares, bregas, vadias”, exemplificou. A secretária concluiu puxando o público a entoar a frase de ordem “lugar de mulher é onde ela quiser”.

Ainda participaram deste ato feminista que abriu o Emergências outras 13 mulheres vindas de seis países, além do Brasil. O Chile foi representado por uma das principais MC´s da América Latina, Ana Tijoux, vencedora do Grammy Latino em 2014.

Da Argentina, estavam a fundadora da Rede Latinoamaricana de Juventude Vivendo com HIV, Mariana Iacono, e a representante da revista Garganta Poderosa, Daniela Merida. Do Uruguai, a integrante do movimento ProDerechos Victoria Verrastro.

Da Inglaterra, participou a produtora cultural, ativista e a ganhadora da placa de Artists Coalition do Conselho da Associação de Música Independente, Ruth Daniel. Outras participantes foram Maha Namo, nascida no Líbano, mas autodeclarada apátrida e defensora dos refugiados, e a dançarina afrourbana norte-americana Amy Sacada.

Do Brasil, também subiram ao palco a presidenta da TransRevoluação, Indianara Siqueira, a articuladora da campanha Amanhecer Contra a Redução, Daniela Orofino, a coordenadora da Agência de Redes para a Juventude, Ana Paula Lisboa, a presidenta da União Nacional dos Estudantes, Carina Vitral, a presidenta da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, Camila Lanes, e a secretária de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo.

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